Sobre o novo Eslito SeaPunk


No fim do ano passado uma nova cena surgida na internet começou a fazer barulho no mundo off-line: os seapunks. Ninguém sabe ao certo onde tudo começou — alguns dizem que foi na Califórnia, outros dizem que foi no Japão, outros reclamam que foi em Londres — mas tudo indica que o lugar onde o estilo tem mais adeptos atualmente é a cidade de Chicago, nos Estados Unidos. 

A tribo é, na verdade, um “shuffle” de referências. Influenciados principalmente pelos “ravers” dos anos 1990, os seapunks misturam a estética punk com temas do mar, entre outros elementos. Jeans rasgados, cabelos coloridos, tie-dye, óculos redondos com hologramas, yin yang, estampas de golfinhos, conchas e símbolos religiosos são alguns dos itens que compõem o visual.
Num sentido mais amplo (e apelando um pouquinho), os seapunks evocam uma “estética/filosofia” baseada no lema “life is a beach” (“a vida é uma praia”), que gira em torno de ideais ravers de paz, amor e unidade, além de uma visão cyberutópica de um paraíso digital, com tema de fundo do mar, imagens pixeladas e gifs animados toscos.
Muita gente diz que o estilo é antigo e que não passa de uma combinação do visual de tribos underground que já existiam, como o “screawgaze” e o “witch house”. O que difere o seapunk desses dois é a clara referência aos temas marítimos. Como toda cena, eles também possuem o seu próprio estilo musical: house e techno dos anos 1990 se misturam com sons marinhos e barulhos de videogames, além de uma certa energia narcótica que remete à música new age. Unicorn Kid, Ultrademon e Zombelle são alguns dos nomes que estão criando músicas do estilo. O DJ Ultrademon lançou no ano passado o selo de música Seapunk Coral Records Internazionale, que por enquanto só possui quatro singles lançados, disponíveis somente por download.
Em Los Angeles, Londres, Chicago e Berlim já aconteceram algumas festas e encontros do movimento, mas a verdadeira casa dos seapunks é a internet, mais especificamente o Tumblr (em www.tumblr.com/tagged/sea-punk, por exemplo).
Combinando rede social com microblogging, o Tumblr estimula não só a criação de conteúdo, mas também a republicação de material de outros usuários, o que acabou transformando a plataforma numa fábrica de memes.
 Ninguém sabe se o seapunk será uma cena com alguma relevância na moda, música ou na cultura. Pode ser mais uma piada do que uma tribo de verdade, e pode ser que desapareça rapidamente, assim como vários outros memes que surgem na internet a todo momento. Mas o bacana é ver que há um público à procura de algo novo, e a chance de que daí saia algo realmente novo é o que torna o movimento interessante.